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MINHA MÁGOA COM A HISTÓRIA

October 31, 2017

Lembro direitinho daquilo que motivou meu interesse por História. Em minha casa, além do indefectível Jorge Amado, da coleção do Lobato, dos livros do Círculo do Livro e dos fascículos da Abril, havia um bocado de livros do que genericamente poderíamos chamar de romance histórico ou que tinham algum diálogo com o passado. Coisas tipo O Judeu Errante, de Eugène Sue; O Egípio e O Romano, de Mika Waltari. Li até Os Miseráveis, sem pular as chatíssimas descrições das batalhas que cercavam Paris na época.

            Meu pai era um filho de portugas que não concluiu nem o primário, não era nenhum intelectual, mas, gostava de ler e de ouvir música em sua vitrola. Assim, descansava de seu trabalho pesado. Aquilo o acalmava e começou a me acalmar também. Éramos pobres de direita? Acho que não, meu pai dizia ter inclinações socialistas. Eu, de fato, nunca gostei de utopias. Se é para sonhar, que venham os delírios!

            Eu não tinha a menor ideia de que havia qualquer espécie de trabalho intelectual profissional. E achava sinceramente que História era algo semelhante àquelas narrativas.

            Eu já estava envolvido com teatro, desde a adolescência. Neste meio, já convivia um pouco com um pessoal riponga, meio punk e com os politizados. A MPB e os filmes nos tornavam “engajados”. Mas, embora soubesse, por alto, que o “materialismo era histórico e dialético”, ainda insistia em algum lugar de meu espírito uma visão de História mais próxima de um gênero da narrativa.

            Imaginem, então, minha frustração quando, ao ingressar no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais/UFRJ, na Faculdade de História, tive que conviver com perspectivas de História que, sobretudo, denegavam (Caro leitor, leitora, procure apreender o sentido psicológico do termo “denegar”, porque é isso mesmo que estou dizendo.) o caráter ficcional da escrita histórica: marxistas, positivistas, neopositivistas, estruturalistas... Havia, é claro, a leitura herética do pós-estruturalismo, a chegada da desconstrução. Mas, lá no andar de cima, onde comecei a andar cada vez mais, na Filosofia.

Em História, se você sacasse um Hayden White e metesse uma meta-história seria chamado, nos termos de hoje de fascista, golpista, taxista, ascensorista... O termo da época era “reacionário”, ou “reformista”.

            Foi assim que comecei a desenvolver certa mágoa da História. Como aquilo tudo era xiita chaato! Cagar regra à esquerda, cagar regra à direita. Concluí a graduação, mas, morava mais no andar de cima, a Faculdade de Filosofia. Dela, mudei em definitivo para as Letras. Porém, como nada é perfeito, a Faculdade era dominada pelo objetivismo abstrato e pelo cientificismo difuso daquilo que chamam de Linguística. Porém, por mais estranho que me soe o termo “Ciência da Literatura”, quase tão esquisito quanto “Ciência Política”, é ainda permitido, no mundo das Letras, saborear um texto e devorar ideias pelo prazer (ou necessidade anímica) de fazê-lo.

            Que bom que estou velho! Acho que sempre fui meio velho...

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